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A gestação de anencéfalos (assim como de outras malformações inviáveis) não coloca a vida da gestante em risco. A informação em sentido contrário é completamente infundada e, diria que, até irresponsável, só aumentando, equivocadamente, o sofrimento da gestante que se encontra nesse momento tão crítico. Como última ponderação gostaria de citar um valor que ensino repetidamente aos meus filhos: "A vida não é como nós queremos, entretanto é maravilhoso vivê-la". Para que possamos ser felizes é urgente aceitar e amar a vida como ela se nos oferece. Os filhos não são o reflexo dos nossos sonhos, são seres independentes de nós e eles têm sim o direito à vida, não nos cabe julgar se ela é ou não como nós sonhamos. Acho que é preciso parar de sonhar e começar a viver. Gostaria, antes de encerrar, dizer que o amor que temos pelos filhos não está na dependência de quanto tempo temos para viver com eles (9 meses ou 90 anos) ou de quão perfeitos eles são. Digo isto tranqüilamente, pois tenho um filho deficiente visual, que não nasceu da minha barriga, mas renasceu pelo meu coração.
Dra. Lúcia Pedroso Barbosa, médica, ultra-sonografista e mãe de sete filhos.
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